Novo curso adiante! Estarei ministrando um curso sobre a “analogia entis” em Caetano nos dias 21/05, 28/05, 04/06, 11/06 e 18/06. Serão cinco aulas que tocarão nos pontos capitais da doutrina analógica de nosso Cardeal. Peço que compartilhem.

As aulas serão gravadas e disponibilizadas junto com materiais e traduções dos autores comentados no curso.

Mais informações no número: 69 99991–7908

Bibliografia fundamental do curso.

— Tomás de Vio (Caetano):

1) In de Ente et essentia Commentaria.

2) Commentaria in primam partem Summae theologiae.

3) De Nominum Analogia.

4) De Conceptu Entis.

5) Metaphysica (comentários e opúsculos de metafísica compilados em…


“Podemos dizer que a Lógica possui imprópria e extrinsecamente certa unidade genérica e específica. A conclusão é sacada de Escoto, que no mesmo lugar constata a mesma coisa das outras ciências que, enquanto tais, possuem alguma paridade com a Lógica.” — Bernardo Sannig, O.F.M. (em Schola philosophica Scotistarum, Tractatus primus, dos proêmios da Lógica escotista, dist. única).

Para entender o significado da pergunta que se refere à lógica artificial, é preciso saber que o que é necessário para um fim pode ser duplo: simpliciter (absolutamente) e secundum quid (segundo certo aspecto). É simpliciter necessário aquilo sem o qual o fim não pode ser obtido ou, como argumenta Goudin (ver Philosophia Thomistica, vol. I, Logic. proemium, Disp. I, q. …


“A distinção formal, que também chamamos de ex natura rei, é aquela que intercede entre dois predicados diversos ou entre formalidades e realidades quando uma não é a outra.” — Gabriel Boyvin (Philosophia Scoti, Vol. III, secunda pars, cap. III, q. prima).

Por graus metafísicos devemos entender os predicados metafísicos superiores e inferiores a respeito de uma mesma coisa, v. g., em Miguel as razões de substância, corpo, animal racional, e, igualmente, a diferença individual; e se chamam graus, porque quando os conhecemos, ascendemos e descemos através deles; se denominam metafísicos, porque o intelecto que compete distingui-los. Entre a distinção real e de razão non datur medium, dizem os tomistas; Escoto e João Ponce, em sentido oposto, argumentam que a distinção virtual ou de razão raciocinada tampouco é suficiente para explicar os predicados superiores e inferiores da coisa, e, em razão disso…


Texto publicado em Dezembro de 2017

“[…] Não ousaria afirmar que Santo Tomás — que desejo ardentemente ter como patrono e não como adversário — acreditasse que, só pela presença das coisas segundo o seu ser de existência, Deus conhece com certeza os contingentes futuros, mas que, ao contrário, parece-me que, se esta questão fosse examinada com cuidado, Santo Tomás teria afirmado o oposto.” — Pe. Luís de Molina (Concordia liberi arbitrii cum gratiæ donis, pars. IV, Disp. XLIX).

Acabo de encerrar o livro do notório Frei Domingo Basso O.P., …


“A doutrina de Suárez admite uma abstração precisiva no conceito de ente, sem admitir a determinação por não entes como a primeira, e sem introduzir diferenças como tais — no conceito de ente, como a segunda; mas incluindo as diferenças apenas em termos de seu conceito entitativo na unidade do ente.” — Amor Ruibal (em Los problemas fundamentales de la Filosofía e del Dogma, Tom. IX, sect. III, Cap. V, art. V).

(1) Tanto para Caetano como para Soto, que pensam que o ente transcendental que se divide nos dez predicamentos é o ente como particípio, como também o Ferrariense, que afirma que é significado pelo ente “ut nomen”, a noção de ente significa principalmente o “id quod habet esse”. O ente como nome, mesmo para Ferrara e Capréolo, não só não dispensa o ser atualmente existente, por isso é também adequado ao ente em ato, mas que, apesar de significar direta e formalmente a essência, também significa, embora secundariamente, o “esse” porque conota a própria essência como participante do ser.

Para…


“Naquele gênero de disputar das coisas sagradas, que chamam escolástico, não há coisa nem mais aguda, nem mais cabal, nem mais consumada que Escoto.” — Gerardo Mercator (em Adlant, tab. I, De Scotia).

Recentemente tomei ciência de um artigo do sr. Carlos Ramalhete que busca, entre outras coisas, indicar uma das principais causas da negação do transcendente: nota característica, por certo, de várias filosofias modernas. Entre as causas principais diagnosticadas, pontualiza Ramalhete, estão Escoto e sua univocidade do “ser” (lembremos que para Escoto o “esse” é uma noção plexa com a de essência; o mais correto, portanto, seria falar de uma univocidade do “ente”).

Antes de manifestar minhas discrepâncias com o referido artigo, faço questão de sinalizar que concordo com o certeiro diagnóstico deste tomista sobre outra questão: o pecado do lefebvrismo e…


“Assim, de acordo com a doutrina oficial da Igreja, os pagãos e infiéis também podem alcançar o Reino de Deus. Não porque os ritos ou crenças de suas falsas religiões tenham alguma eficácia santificadora, mas porque eles podem vir a pertencer em espírito sem o saberem à verdadeira Igreja de Cristo e receber, por sua influência, as graças da salvação.” — Royo Marín, O.P. (em ¿Se salvan todos?, p. 177).

(1) É sentença teologicamente certa que um judeu, um muçulmano e até um protestante podem se salvar como infiéis negativos (dentro da esquematologia revisada da infidelidade ver: Sebalde de S. Cristóvão, Q. Moralium pars II, cap. I §3; Antônio Elia, Element. Theol. Praticae, Cap. III, nota I; José Arcanjo, Th. Moralis Institutiones pars I, Tract. De Virtibus Cap. IV; Edmundo Simonnet, Inst. Theologicae, Tract. VII, Disp. VI, art. II; Nicolas Mazzotta, Th. Moralis, Tract. II, Disp. I, Cap. II, §1; Patrício Sporer, Th. Moralis, in I. Praecept. Decal., Cap. III, assert. I; João de Lugo, De Virt. Fidei divinae, disp…


“Ademais, esta razão geralmente é aprovada pelos sarracenos e por outros infiéis que conhecem e adoram o único Deus verdadeiro” — Francisco Suárez, S.J. (Tractatus de fide theologica, Disp. XVIII, sect. IV, p. 272).

(1) Resposta à “carta” de Douglas Bergamo.

Recentemente estive envolvido em uma polêmica com o sr. Carlos Nougué acerca da crença dos muçulmanos no Deus uno e verdadeiro. Eu, crendo estar em concordância com grandes escolásticos, sustive positivamente: que os muçulmanos, de fato, creem sob certo ângulo no mesmo “Ego sum qui sum” que nós, os católicos.

Há poucos dias, contudo, o sr. Nougué também publicou uma pequena carta de um conhecido seu (não tenho certeza se é um aluno) que busca reformular os seus argumentos, e, assim, “refutar os dois pontos falhos” de minha tese. Pois bem, vejamos se foi exitoso.

O oponente em questão levanta…


“Aqueles que não acreditam com a fé católica podem ser divididos em várias categorias. Há aqueles que, embora não acreditem em todos os dogmas da religião católica, reconhecem o único Deus verdadeiro; estes são os turcos e todos os muçulmanos, assim como os judeus” — Cardeal João de Lugo, S.J. (em De virtute fidei divinae, disp. XII, n. 50).

(1) Esclarecimentos.

Há poucos dias em uma plataforma de perguntas respondi brevemente a (árdua) questão da crença em comum dos católicos e muçulmanos sobre o mesmo Deus. Como sinalizei na própria resposta: tratava-se de algo polêmico, com amplo respaldo, porém, nos doutores escolásticos. Assim, me atendo sobretudo ao que ensinaram Suárez, Lugo, Hurtado, Gonet, Billuart e outros, argumentei afirmativamente, que creem, em certa medida, no mesmo Deus.

A afirmação encontra seu fundamento, como veremos, em princípios diferentes, mas antes de responder cada objeção, prosseguirei no esclarecimento dos últimos eventos:

1. Em primeiro lugar, gostaria de agradecer ao senhor Carlos Nougué pelo honroso…


“Quando foram publicadas as minhas “Investigações Lógicas” — penso que é uma obra bem conhecida — os meus adversários, que se julgavam modernos, atiraram-me na minha cara: mas não passa de uma nova Escolástica! Eu repliquei: não conheço a Escolástica. Mas se em seus escritos tudo isso é mencionado, tanto melhor para a Escolástica!” — Edith Stein (O que é filosofia? Um diálogo entre Edmund Husserl e Tomás de Aquino).

Prolegômenos ao problema.

Conforme os tomistas o objeto formal da lógica são os entes de razão ou segundas intenções do intelecto; para Aureolo e os nominalistas, são as vozes significativas; para Rúbio, Suárez e Masio, são as três operações mentais enquanto dirigidas pelo hábito artificial, etc.; os escolásticos, ademais, convém uniformemente na afirmação de que o objeto material da lógica são as três operações do intelecto, a saber: a simples apreensão, o juízo e o raciocínio.

Na canteira tomista, segundo o João de S. Tomás (Ars logica, segunda parte, q. II, art. II), a intenção formal é o mesmo conhecimento ou ato pelo…

Carlos Alberto

Nascido em 1996. Estudante de Psicologia pela Faculdade da Amazônia — FAMA. Tomista e apreciador do escolasticismo de modo geral.

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